Seu Zé Correia do tamborete da varanda mascando fumo estica os olhos serenos naquela lua cheia que vem nascendo por detrás da goiabeira.
- Ô, Chica, vem cá, meu bem. Corre e vem ver. A lua já se engraçou no céu.
D. Francisca encosta na porta pensando calada como está bonita a bichinha sozinha naquele céu sem fim.
- Apagou as estrelas tudo - resmunga.
Recolhe-se no quarto abafado, se encosta à cabeceira da cama, estica as pernas cansadas do dia, mergulha profundo em seu mundo de sonhos e saudades daquilo que o tempo guardou para trás e se esqueceu de apagar a luz.
D. Francisca nem vê S. Zé Correia deitar-se a seu lado com cuidado bem quietinho, espiando seu sono na noite comprida. Só na fresta da janela a luz da lua lá fora batendo no rosto velho e marcado de sua Chica.
Seu Zé nunca fôra capaz de aprisionar um canário belga que fose. Era manso como as águas do rio Nú sem vento pra carregar. Nem tinha exigência ou capricho, gostava de pão molhado no café com leite, e dos abraços vez ou outra em Chica. Viavia naquele pedaço de terra colhen do mandioca e feijão e os mais que a terra desse, agradando os bichos ariscos saídos de seus esconderijos no mato, que vinham pedir-lhe um bocado de comer. Não pedia que ficassem, esperava da sacada suas visitas e chamegos raros.
Agora espera por Chica, no tamborete mascando seu fumo e bebendo sal com os olhos perdidos por trás da goiabeira de carvão.
No céu as estrelas todas acesas.
moça com brinco de pérola
Sim, ela bem sabia dizer as cores do céu. Das nuvens... amarelo, azul e cinza. Sentia penetrar a luz compondo a paisagem na poeira da janela. Brincava no reflexo da prata lustrada. Era porque sabia mistuar as tintas na busca precisa do tom rosado de seus lábios úmidos. Era porque dormia e acordava escondendo seus fios castanhos nem lisos nem encaracolados que nunca cobriam-lhe as costas. Sem tocar pincéis nem palavra, pintava e dançava uma dança imóvel em silêncio. E sua pele alva reluzente permaneceria intocada na sala secreta.
Sim, ela fazia parte do trabalho minucioso e exato do artista retendo nuanças. Porque sabia dizer as cores do céu e assim fizeram-se cúmplices. O segredo que soubera guardar com fidelidade canina extrapolou os poros e espalhou o cheiro, o gosto, e o escarlate da paixão implodida. E todos souberam daquilo que jamais seria dito. E então soube encarar a fúria da obsessão com nobreza. Porque já sabia dizer as cores do céu, sutilezas e matizes da luz.
Seu segredo era uma pérola esculpida em concha no fundo do fundo do mar. No silêncio das águas profundas em que não penetra a luz, seu segredo tinha o negrume precioso das pérolas raras. E como não lhe pertencesse o segredo, o segredo sendo do fundo do fundo do mar, ela amava e amaria profundo, o mar, as conchas e o negrume de lá.
Sim, ela fazia parte do trabalho minucioso e exato do artista retendo nuanças. Porque sabia dizer as cores do céu e assim fizeram-se cúmplices. O segredo que soubera guardar com fidelidade canina extrapolou os poros e espalhou o cheiro, o gosto, e o escarlate da paixão implodida. E todos souberam daquilo que jamais seria dito. E então soube encarar a fúria da obsessão com nobreza. Porque já sabia dizer as cores do céu, sutilezas e matizes da luz.
Seu segredo era uma pérola esculpida em concha no fundo do fundo do mar. No silêncio das águas profundas em que não penetra a luz, seu segredo tinha o negrume precioso das pérolas raras. E como não lhe pertencesse o segredo, o segredo sendo do fundo do fundo do mar, ela amava e amaria profundo, o mar, as conchas e o negrume de lá.
na paz
Pelas sociedades agrárias das Altas Culturas, na Mesoamérica e Área Andina;
Pelos tupis, guaranis, gês, aruaques, tapuias e caríbas;
Pelas amazonas mergulhando no Lago da Lua para apanhar jade e ofertar muiraquitãs aos homens que as visitavam;
Pelos filhos do Sol trajados de chullos e ponchos protegidos pela Mãe de Pedra;
Pelas sete canoas do Havaí singrando até a terra da longa nuvem branca;
Pelos mokos nos queixos e lábios das mulheres casadas e dos maoris livres e nobres;
Pelas plumas de Maíra, herói-princípio de todas as coisas;
Pelos inimigos dos Jivaros degolados, escalpelados, costurados com espinhos de mandarová;
Pelos kapoor e seus patuás, pela arte plumária;
Pelos amigos, parentes e vizinhos de Ogum, presos e arrastados para a escravidão;
Pelas lutas, conquistas, derrotas e sangue derramados nos rios, mares e oceanos dos continentes;
Aurora e Morena hão de ser boas companheiras.
Pelos tupis, guaranis, gês, aruaques, tapuias e caríbas;
Pelas amazonas mergulhando no Lago da Lua para apanhar jade e ofertar muiraquitãs aos homens que as visitavam;
Pelos filhos do Sol trajados de chullos e ponchos protegidos pela Mãe de Pedra;
Pelas sete canoas do Havaí singrando até a terra da longa nuvem branca;
Pelos mokos nos queixos e lábios das mulheres casadas e dos maoris livres e nobres;
Pelas plumas de Maíra, herói-princípio de todas as coisas;
Pelos inimigos dos Jivaros degolados, escalpelados, costurados com espinhos de mandarová;
Pelos kapoor e seus patuás, pela arte plumária;
Pelos amigos, parentes e vizinhos de Ogum, presos e arrastados para a escravidão;
Pelas lutas, conquistas, derrotas e sangue derramados nos rios, mares e oceanos dos continentes;
Aurora e Morena hão de ser boas companheiras.
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