empunhando sua espada, o samurai não tinha contra si um rival: ele assistia ao menor pensamento tomando corpo, repousava o olhar sobre ele, observava os movimentos ensaiados por ele, desafiava o pensamento, que acuado buscava um pouso onde assentar-se. então, antes que o pensamento pudesse achar guarita, o samurai o esmiuçava, encravando-lhe a espada por completo, até vê-lo esvair-se.

vinha em sua direção um novo pensamento, dando continuidade à silenciosa batalha do samurai que, compenetrado equilibrava-se no próprio respirar, sem desviar os olhos de seu novo pensamento, sem permitir-se emoção diante dele, o samurai mantinha a postura e aguardava o momento do golpe derradeiro.

assistíamos àquela batalha maravilhados, eu e meu pai, banhados de pranto.