criou cenários para a despedida. imaginou dizeres, cheiros, cores e silêncios.
na cena ideal, carinho, toque, contato, afinidade. mais que sexo, afeto.
aproximando-se o encontro, sentindo crescer esse
desejo-necessidade-vontade de afeto correndo na contramão, preparou-se para o pior: a indiferença, o descaso, o destrato. preparou-se para o frio. preparou-se para o frio, invocando as deusas afim de receber o que viesse sem dor e sem apego.
chegou o dia do encontro: uma manhã cinzenta de muita chuva. ao desembarcar, nenhum rosto familiar. só a chuva. insegura, indecisa, apanhou um táxi. mauro dirigia e tentava quebrar o silêncio com perguntas que ela respondia a contragosto: sabia, mas não muito, o que vinha fazer ali. como explicar que se chega despedindo-se? mauro matou a charada ao perguntar onde se hospedaria e ouvi-la dizer que estava a caminho da casa da ex-sogra.
intrigado, mauro animou-se em fazer novas perguntas. tentou vasculhar a vida do ex. por que acabou, há quanto tempo, onde vivia, com quem, se casado, se também a aguardava, se encontrariam? diante de respostas vagas, mauro deu um jeito de olhá-la de frente e perguntar: e se ele pedir pra voltar?