a triste sereiazinha de betelgeuse
a triste sereiazinha, entre o mar e o farol, ouve do alto da atalaia o chamado no rádio.
é betelgeuse! betelgeuse chegou!
a triste sereiazinha, contente, modula as primeiras coordenadas: latitude e longitude do fundeadouro número sete. que betelgeuse ancore lá, desligue seus motores, e bóie com seu calado.
a triste sereiazinha, feliz, aciona o barco, os pilotos, os rebocadores: atraquem betelgeuse no porto!
no porto, o navio estará bem amarrado aos cabeços, seguro, e receberá provisões.
no porto, a tripulação, passageira, delicia-se em terra.
o marinheiro apressa-se em visitar atalaia, onde a triste sereiazinha nem tão triste assim recebe suvenires d´além mar.
o marinheiro sussurra-lhe entre beijos que tudo será eterno enquanto dalva não chega.
a triste sereiazinha, meio triste meio feliz toda louca já sabe que o marinheiro é de betelgeuse. que o navio é do mar. e a sereia também.
36 coisas coisadas da minha pessoa:
1. adoro disparates, por isso não resisti.
2. detesto correntes, então decidi por conta própria escrever sobre mim mesma.
3. tenho aproximadamente 1,64m, a depender da lua.
4. não sei meu peso. mesmo.
5. eu calço é 37, meu pai me dá 38.
6. meus olhos têm o exato castanho do meu pai, que ele diz que é da cor do mel de jandaíra.
7. quando sorrio vê-se um canino pendurado no alto.
8. pintei os cabelos uma única vez, de vermelho.
9. gostei do cabelo vermelho, mas não me afino com rituais de “beleza”.
10. nunca vou poder reclamar da indisciplina de ninguém.
11. o vento passa, eu vou. volto quando quero, se quero. não tenho molde, não cumpro meta, não assino contrato. sou feliz, sou infeliz, sou o que tem pra hoje, intensamente.
12. tenho uma memória fotográfica impressionante.
13. vivi a infância mudando de cidade, casa, escola, e apesar dos pesares acho que foi fantástico experimentar o novo.
14. levo cinco minutos pra falar no sotaque do meu interlocutor.
15. morei numa rua sem saída onde todo mundo conhecia as gargalhadas da minha mãe conversando na sala com meu pai depois da janta.
16. herdei a gargalhada da minha mãe. não tenho nenhum constrangimento com o constrangimento alheio ao ouvi-la.
17. tenho o nome que meu pai dava às bonecas de pano que ele fazia e brincava com os irmãos.
18. passei boa parte da vida num universo particular conversando com plantas, galinhas, nuvens e estrelas.
19. minha vó lili foi a minha paixão mais duradoura. ela fazia peixe frito no almoço e me entregava uma compota de doce de goiaba todo domingo, junto com uma dália branca, adoçando e perfumando a minha semana.
20. escrevo cartas desde a minha alfabetização.
21. meu lugar favorito nas escolas sempre foi a biblioteca.
22. sempre fui tímida.
23. todo mundo que me reencontra depois de anos diz que eu não mudo nada.
24. não sei como, já que todo mundo que me conhece sabe que o roteiro da minha vida mescla novela mexicana com almodóvar, e que nem o manuel carlos pensou nisso.
25. vivi cinco anos de dedicação exclusiva aos filhos e conheço o valor dessa experiência, mas jamais romantizarei a maternidade.
26. eu tinha nomes nova era pros filhos na cabeça, mas quando engravidei os nomes deles se apresentaram e eu percebi que não controlava nada, a começar por essa escolha.
27. eu só me conheci realmente e descobri a minha casca grossa depois que fui mãe, naná tinha razão. mas o juízo que ele também dizia que ia chegar, deve ter sido extraviado.
28. tenho preconceito com pessoas que acompanham, elaboram teses e discursam sobre times de futebol.
29. fico aperreada se passo mais de uma hora ouvindo música em outra língua.
30. minha doçura é diretamente proporcional à minha brutalidade.
31. sou meio transparente e não sei disfarçar quando alguém pergunta se estou bem só que não. não sei fazer nada ensaiado, sou absurdamente espontânea.
32. sou velha desde menina. não tenho papas na língua, embora não goste de falar.
33. adoro galos campina e a elis regina.
34. por mais difícil que seja ser uma mulher alencarina, adoro a cidade solar, minha história com ela, as histórias das pessoas que aqui resistem.
35. não posso viver sem o/a mar.
36. estou completando 36 anos, nem parece. dói, mas é bom estar viva.
2. detesto correntes, então decidi por conta própria escrever sobre mim mesma.
3. tenho aproximadamente 1,64m, a depender da lua.
4. não sei meu peso. mesmo.
5. eu calço é 37, meu pai me dá 38.
6. meus olhos têm o exato castanho do meu pai, que ele diz que é da cor do mel de jandaíra.
7. quando sorrio vê-se um canino pendurado no alto.
8. pintei os cabelos uma única vez, de vermelho.
9. gostei do cabelo vermelho, mas não me afino com rituais de “beleza”.
10. nunca vou poder reclamar da indisciplina de ninguém.
11. o vento passa, eu vou. volto quando quero, se quero. não tenho molde, não cumpro meta, não assino contrato. sou feliz, sou infeliz, sou o que tem pra hoje, intensamente.
12. tenho uma memória fotográfica impressionante.
13. vivi a infância mudando de cidade, casa, escola, e apesar dos pesares acho que foi fantástico experimentar o novo.
14. levo cinco minutos pra falar no sotaque do meu interlocutor.
15. morei numa rua sem saída onde todo mundo conhecia as gargalhadas da minha mãe conversando na sala com meu pai depois da janta.
16. herdei a gargalhada da minha mãe. não tenho nenhum constrangimento com o constrangimento alheio ao ouvi-la.
17. tenho o nome que meu pai dava às bonecas de pano que ele fazia e brincava com os irmãos.
18. passei boa parte da vida num universo particular conversando com plantas, galinhas, nuvens e estrelas.
19. minha vó lili foi a minha paixão mais duradoura. ela fazia peixe frito no almoço e me entregava uma compota de doce de goiaba todo domingo, junto com uma dália branca, adoçando e perfumando a minha semana.
20. escrevo cartas desde a minha alfabetização.
21. meu lugar favorito nas escolas sempre foi a biblioteca.
22. sempre fui tímida.
23. todo mundo que me reencontra depois de anos diz que eu não mudo nada.
24. não sei como, já que todo mundo que me conhece sabe que o roteiro da minha vida mescla novela mexicana com almodóvar, e que nem o manuel carlos pensou nisso.
25. vivi cinco anos de dedicação exclusiva aos filhos e conheço o valor dessa experiência, mas jamais romantizarei a maternidade.
26. eu tinha nomes nova era pros filhos na cabeça, mas quando engravidei os nomes deles se apresentaram e eu percebi que não controlava nada, a começar por essa escolha.
27. eu só me conheci realmente e descobri a minha casca grossa depois que fui mãe, naná tinha razão. mas o juízo que ele também dizia que ia chegar, deve ter sido extraviado.
28. tenho preconceito com pessoas que acompanham, elaboram teses e discursam sobre times de futebol.
29. fico aperreada se passo mais de uma hora ouvindo música em outra língua.
30. minha doçura é diretamente proporcional à minha brutalidade.
31. sou meio transparente e não sei disfarçar quando alguém pergunta se estou bem só que não. não sei fazer nada ensaiado, sou absurdamente espontânea.
32. sou velha desde menina. não tenho papas na língua, embora não goste de falar.
33. adoro galos campina e a elis regina.
34. por mais difícil que seja ser uma mulher alencarina, adoro a cidade solar, minha história com ela, as histórias das pessoas que aqui resistem.
35. não posso viver sem o/a mar.
36. estou completando 36 anos, nem parece. dói, mas é bom estar viva.
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